Ser ou Não Ser?

Vivo para saber que vou morrer. Ás vezes, dou por mim a pensar “Porque vivemos se a vida nos está sempre a pregar partidas e muitas delas não superamos?”, surgem respostas, mas com elas mais problemas. Fico confuso, a minha cabeça começa a doer. Começo a chorar. O tempo passa e eu ando de um lado para o outro, a chorar, com dores de cabeça. Ninguém me pode ajudar. Não sei o que fazer, tento esquecer mas não consigo. Caio na cama, fixo um ponto no tecto. Percebo que não vale a pena andar de um lado para o outro, quando os problemas continuam a surgir. Tenho de me acalmar e resolve-los. Paro de chorar. Fico imóvel. Oiço o silêncio. É belo. Estou sozinho. Os problemas retornaram à minha cabeça mas desta vez ordenadamente e mais claro. Eram muitos difíceis de resolver. Não conseguia aguentar tantos problemas. A confusão estava a instalar-se outra vez. Eu, estava cansado e o desgasto já era muito. Adormeci…

A pedra

Corro de um lado para o outro. Corro, sei saber o que fazer. Corro…Corro… Paro, em frente a um espelho. Olho para o meu reflexo. Levo as mãos ao espelho. Parti-o. Começo a correr. Corro…Corro… Assim continuei horas a fio, sem perceber o porquê de tudo aquilo estar a acontecer. Apercebi-me que estava numa sala branca. Toda branca. Começam a aparecer pessoas à minha volta. Pessoas de branco. Olho para mim e vejo que também estou de branco. Entro em pânico e desmaio. As perguntas voam na minha cabeça, como a águia trespassa o céu atrás da presa. Acordo. Tomo consciência do que se passava. As coisas estão a acontecer, são reais. A sala branca, era um hospital e as pessoas, médicos. Não param de me observar e dar comprimidos. O espelho, o espelho, era eu. O meu eu que haverá sido morto, por mim. Tive um irmão gémeo. Percebo agora onde estou. Estou no manicómio. Nunca mais volto a ser o mesmo.
O meu irmão irritou-me e eu mandei-lhe com uma pedra à cabeça.

Flor de lotos

Acto I

Genebra
– Morte. Será o destino de todos nós, apesar dos actos feitos neste imundo planeta que se degrada aos poucos, tal como uma vida. Todos nós sabemos que um dia vamos morrer, não sabemos é quando e de que maneira. Talvez um crime, um pecado, um acto falhado seja a razão para sermos julgados à morte. Também a própria defesa nos pode levar a cometer morte. Matei. Sim matei, mas matei em minha próprio defesa. E agora, agora terei de pagar por isso. (entram duas pessoas desconhecidas e levam-na para fora da sala) .......
Autor: Bruno Petrus

It's never going to happen again

Como os outros, um dia como os outros.
Era noite, estava fora de casa como era habitual nas férias, quando ao entrar na minha rua, já a caminho de casa, vi-te sentada a chorar. Não te conhecia. Algo em ti me atraiu quando por ti passei. Parei. Voltei-me. Sentei-me a teu lado. muitas coisas me vieram à cabeça. Algo tinha de te dizer. Uma delas saiu-me: "Pensa apenas nas coisas boas da vida". Paraste de soluçar. tiraste as mãos da cara. Os teus olhos cintilaram nos meus. Azul-claro, a cor dos teus olhos. Redondo, o teu rosto. Castanho-claro, o teu cabelo. Bela, tu eras bela. Abraçaste-te ao meu pescoço e continuaste a chorar mas desta vez notava-se que o choro já não mostrava solidão. Acalmaste. Apresentei-me. “Bruno”, disse eu. Limpaste as ultimas lágrimas do rosto. Sorriste, belo e grande era o teu sorriso. Atiraste-te outra vez ao meu pescoço, mas agora já não choravas, mas sim rias. Levantaste-te. Agarraste-me na mão. Levantaste-me. Andamos. Olhei para ti. Tu para mim. Sorrimos. Continuamos. Chegamos a porta de minha casa.
Queria te levar até a tua, mas nada disse.
Ficamos parados à porta da minha casa.
Deste-me um beijo no rosto.
Foste-te embora.
Vi-te desaparecer ao longe.
Deixei de te ver...

O Último

Faltavam 30 minutos para o espectáculo, o último de todos.
Estavas a dar os últimos “retoques” na maquilhagem e no penteado. Eu observava-te, como sempre o fizera porque tu eras diferente.
Andavam sempre todos de um lado para o outro, enquanto tu ficavas na cadeira a dar “retoques” na maquilhagem.
Entravas logo no início, e eu só mesmo no fim, tão longe e tão perto ao mesmo tempo.
O contra-regra bate na porta e diz “10 minutos” a correria, o stress aumentou, mas nada em ti alterou.
Observei-te com mais atenção, reparei que tinhas uma “mini-borbulha”. Parece estupidez, sempre pensei que fosses um ser perfeito.
Quando regressei a mim estavas a levantar-te. Nós não comunicávamos muito mas um olhar, um simples olhar, foi o suficiente para perceber que algo estava mal.
Fiquei ali sentado até ao final do 1º acto.
Voltaste tão rápido como saíras, reparei que vinhas com um sorriso nos lábios mas os teus olhos continuavam a mostrar uma tristeza cada vez mais profunda.
Limitei-me a olhar para ti sem te perguntar nada.
Sentaste-te, elevaste a cabeça para o espelho, olhaste para ti e depois fixaste o olhar em mim como se algo de importante tivesses para dizer.
O contra-regra voltou a bater n porta para avisar do tempo, mas também este trazia a tristeza no olhar. Olhou para mim e saiu.
Fiquei à espera que me dissessem algo mas ninguém disse, a única coisa que continuava igual era a agitação.
O 2º acto começou virei-me de frente para o espelho, olhei-me nos olhos e concentrei-me, tudo à minha volta desapareceu, barulho, agitação como se tudo tivesse abrandado.
Levantei-me calmamente e notei algo de estranho, as pessoas, as pessoas que por mim passavam estavam assustadas, algo se tinha passado e de muito grave pois a correria, que já era imensa, tinha aumentado.
De cena não vinha um único som nem o texto se ouvia, entrei no palco e tudo olhou para mim, caminhei lentamente, estavam assustados, olhei à minha volta e não percebi o que estava mal, porque é que continuavam a olhar para mim?
Corri até à plateia, virei-me e vi finalmente o que se passava, estava um corpo caído no chão, fui até lá virei-o para cima e fiquei paralisado.
Isto não podia estar a acontecer. Olhei em redor e voltei a olhar para a face do corpo ali caído.
Era eu, o corpo que estava caído no chão, era o meu, tinha sido eu a gerar toda aquela confusão afinal, era eu o culpado da toda aquela tristeza nos olhos de John, o jovem que marcara a diferença.
Morri com 80 anos no palco, mas morri feliz porque sabia que tinha deixado pegadas, no pequeno John.