Não eu não pensei

Abro a porta a minha frente, acendo a luz do candeeiro da secretária vazia, pego numa folha de papel e numa caneta, sento-me e escrevo:
“Toda a minha vida passei-a em frente a um computador a fazer trabalhos, para tirar boas notas, e o que ganhei com isso para além de um diploma e de mais cultura? Eu digo-vos o que, NADA, porque aquilo que devia ter ganho, FELICIDADE, não ganhei, porquê, porque estava ocupado em tirar boas notas, em vez de me preocupar em viver a vida e aproveitá-la. Momentos lindos que podia ter passado e não passei, amado quem devia amar e não amei, e em vez disso, momentos cansativos em frente ao computador a pensar como escrever aquela frase, chatear e desrespeitar quem deveria amar por causa do trabalho que tinha para fazer.”
Penso: “Agora é tarde de mais, já perdi tudo.”
Escrevo: “ Um dia arrependi-me do que fiz, mas já era tarde, e tudo o que tinha deixado para trás por causa do trabalho que não me dava nada, perdi.”
Penso: “ Estou sozinho neste mundo sem nada, nem ninguém para me aconchegar.”
Escrevo: “ Só gostava de poder reviver tudo isto e não cometer os erros que cometi. Apesar de estar empenhado em tirar boas notas, amei e fui amado, mas deixei-me afundar nos livros e nos estudos, e perdi-me ao ponto de me encontrar tarde de mais.
Vou contar-vos uma história.
Era uma vez um menino que andava sozinho e que estudava muito para não se sentir sozinho, mas havia alturas em que ele parava para pensar no que estava a fazer e foi num desse momentos que se apaixonou e descobriu realmente o que é o amor. Tal como lutara pelos estudos, ele lutou por quem amava e conseguiu, mas mesmo assim continuava a estudar muito, os estudos tornaram-se uma droga para ele, e chegou a uma altura do seu relacionamento que já não ligava quase nada à sua amada por causa dos estudos e perdeu-a, mas como já não conseguia viver sem os estudos continuou sem dar grande importância a sua perda, e assim ficou até ao fim da sua vida. “
Penso: “ Para que conto eu isto não me serve de nada”
Escrevo: “Sim esse rapaz sou eu mas com um senão, ainda não morri e apesar de tarde apercebi-me do que tinha feito e arrependo-me de ter desperdiçado a oportunidade, mas o erro foi meu, tenho de acartar com isto. A vida dá-nos prendas e muitas delas nós não sabemos aproveitá-las e as prendas vão-se tão depressa como vieram.
Só peço para quem ler isto um dia isto, não cometer o mesmo erro que eu. A vida é nos dada com o sentido de a aproveitar-mos ao máximo. Carpe Diem. Mesmo que tenhamos muitos trabalhos para fazer devemos saber organizar-mos de maneira a poder-mos fazer tudo, divertirmo-nos e estudar. Coisa que nunca fiz.
Perdoem-me aqueles a quem magoei.
Perdoa-me Genebra.
Provavelmente quando lerem isto já morri, mas mesmo assim vale a pena dizer que este seria o meu destino, mas muitos de vós não acredita no destino por isso considerem isto como uma lição de vida que tive e que talvez mais tarde sirva de guia ou até mesmo de experiência para outros.
Petrus”
Dobro a folha deixo-a em cima da secretária vazia, arrumo a caneta no lugar, levanto-me, apago a luz do candeeiro, olho mais uma vez para a folha e fecho a porta atrás de mim.

A forma do SER

Um dia uma pessoa já de idade disse-me: “ Tu não podes namorar com aquela princesa, porque ela durante o dia é uma coisa e ao cair das trevas é outra, e quando encontrar o seu verdadeiro amor, numa das formas ficará”. Então pensei, pensei no que aquela pobre velha me dissera, eu não sabia ao que é que ela se referia.
Foi então que vi lá no alto, numa janela distante uma bela princesa. Trocámos olhares, criou-se uma química entre nós, sentia-se no ar. E percebi então o enigma da pobre velha, comecei a pensar o que haveria de fazer, eu tinha de tomar uma opção, e tomei. Optei por me apaixonar pela princesa.
Anos passaram, e eu comecei a cortejá-la, até que num certo dia a convidei para passear ao final da tarde.
Ela hesitou, e eu sem perceber e sem me lembrar porquê.
Eu insisti.
Ela hesitou, e eu sem perceber e sem me lembrar porquê.
Eu insisti.
Até que ela cedeu e lá fomos nós.
Ela não sabia onde a levava, mas eu tinha tudo pensado na minha cabeça.
Levei-a a um sítio lindo, a beira-mar, onde as ondas rebentavam e nós conseguíamos sentir a sua frescura no rosto.
Estávamos a entrar no crepúsculo.
Um silêncio lindo pairava entre nós e, de repente, uma voz melodioso quebrou aquele silêncio.
“Amo-te, nunca te esqueças disso meu cavaleiro” – disse ela.
E dito isto uma brisa forte veio no ar, elevou-a e fê-la começar a mudar de forma, até se transformar numa bela Deusa do mar, numa sereia.
A brisa levou-a até à superfície da água do mar e deixou-a cair suavemente e eu gritei-lhe: “ Voltarei aqui todos os dias para te amar”.
E assim farei até desfalecer e der o meu último suspiro.

O Silêncio do Ser

Sinto um vazio dentro de mim ao olhar à noite para o céu.
«A longitude que isto deve ter»
Gostaria de poder tocar-lhe mas não consigo,
Talvez porque seja novo de mais,
Talvez porque seja muito baixo,
Talvez porque... nem sequer tente porque já sei que não vou conseguir.
Tantos pontos a brilhar no céu, são estrelas.
Umas já morreram outras continuam a brotar energia.
Será que existe algures nesta profundesa outros seres com vida?
«Dorme»
Não consigo.
Sinto um vazio dentro de mim ao olhar à noite para o céu.

O SER parte 2

As estrelas cintilavam no céu. Era um fenómeno raro, assistir ao furor da natureza. No entanto, naquela noite de verão, algo não estava no seu lugar. O aroma da natureza estava alterada, a brisa zumbia nos ao ouvido “cuidado”, e ate mesmo a água do mar parecia assustada. As ondas batiam na areia com uma brusquidão tal que faziam estremecer o solo. Eu encontrava-me sentada em frente à agua a assistir a toda aquela mistura de fenómenos. Subitamente tudo parou. Gerou-se um silêncio aterrador, que fez gelar todo o meu corpo. Era como se o coração da terra tivesse parado de bater. Toda aquela energia possante da natureza desaparecera. Encontrava-me rodeada de trevas. Eu parecia ser a única vida existente. O meu coração era o único a brotar energia. Vindo do vazio surgiu um esganiçar imperceptível. Levei as mãos aos ouvidos para impedir aquela tortura. O som persistia e o meu sofrimento aumentava, já não aguentava mais. Sosseguei ao ouvir o som findar e em seu lugar surgir uma melodia deliciosa, quase divinal. Baixei a barreira que me tapava os ouvidos, e recebi a melodia dentro de mim. A melodia começou a aquecer me o coração e o corpo, a minha temperatura aumentava a cada batida da minha fonte de energia. As batidas aceleraram-se e a temperatura já me era insuportável. Levantei-me a custo, corri na direcção da água e mergulhei. Dentro da água tudo se estabilizou, excepto a melodia. Dentro da água a melodia era frases, palavras, era um pedido. Um pedido vindo de uma voz doce e celestial. Era a voz de uma fêmea. “ Protege-o bem. Sem ele não há futuro, sem ele o mar não vive, sem ele, tu sucumbirás, sem ti ele fraquejará.” Após escutar o pedido, fui abordada por uma sensação estranha, algo que nunca tinha sentido até aquele dia. Uma sensação que me atacou suavemente as entranhas suavemente, percorrendo todo o meu corpo e estabilizando-se no ventre. Levei as mãos ao ventre. Ao tocar-lhe, percebi que algo dentro de mim se tinha alterado, havia uma energia nova pulsando a uma velocidade estrondosa. Eu estava grávida. Estava a gerar dentro de mim uma nova criatura, um novo ser. A vida dentro de mim começou a desenvolver-se muito rapidamente. Vi o meu corpo a mudar assustadoramente. Os meus seios aumentaram, a minha barriga ganhou uma nova forma. Uma nova dor atordoou-me. O ser que crescera dentro de mim queria sair. Tentei contrair-me, de modo a evita-lo, mas ele queria sair a todo o custo. Lutávamos um contra o outro. Seres do mesmo sangue, da mesma vida. Repentinamente o oxigénio que eu inalara antes de mergulhar, esgotara. Sempre tivera grande resistência a suster o fôlego dentro de água mas o tempo acabara. Continuávamos a lutar um contra o outro. Ambos parecíamos teimosos, não nos quedando perante o outro. Fui então vencida pelo meu próprio ser. O facto de não me encontrar no meu meio, fez-me perecer perante a criatura. O oxigénio dentro dos meus pulmões acabara. Perdi os sentidos. Quando a minha energia restabeleceu, apercebi-me que não em encontrava no mesmo meio onde perdera a consciência, abri os olhos e vi que me encontrava novamente na areia. Olhei em redor e tudo se encontrava tal e qual como quando cheguei à praia. Teria tudo aquilo passado senão de um sonho? Pousei as mãos na areia para tentar erguer-me e uma dor assolou todo o meu corpo. Não tinha energia par ame levantar. Cai na areia, que por sua vez me amorteceu a queda. Senti pontadas no órgão genital que fizeram contorcer-me toda. Pressionei-o com os dedos. Ao levar as mãos ao seu encontro, senti um liquido viscoso e quente a tocar-me nos dedos. Olhei para as mãos e estavam cobertas de sangue. Sangue que vinha das minhas entranhas. Afinal tudo o que se passara tinha sido real. Eu tinha algures, naquela imensidão de água uma criatura vinda do meu ser, que precisava de mim para viver. Eu tinha de encontrar o meu filho…
Corri no alcanço do mar, mergulhei e comecei a nadar loucamente, desesperada. Onde haveria eu de procurar a minha cria! As forças já me eram pouco mas mesmo assim continuei a nadar, a nadar…
Tudo à minha volta começou a desfocar-se, os meus olhos já pesavam e o meu corpo flutuava sobre a imensa superfície de água. Fechei então os olhos vencida pela exaustão.

O SER parte 1

" O SER É DIVINO MAS, NÃO É PERFEITO" By autor do blog

A morte - um dos seus significados

«De longe o mais importante e significante tipo de morte para os seres humanos é a morte de um dos seus. Pensar sobre a morte humana levanta muitas questões.
Primeiro, é ruim como podemos identificar o momento exacto em que a morte ocorreu. Isto parece importante, porque identificar o momento pode permitir-nos registar a hora exacta da morte nas certidões de óbito, ter a certeza que o corpo será libertado após se verificar que a pessoa está realmente morta, e em geral, saber como agir perante uma pessoa viva e uma pessoa morta. Em particular, identificar o momento exacto da morte é importante nos casos de transplante
de orgãos, porque tais órgãos precisam de ser transplantados (cirurgicamente) o mais rápido possível.
Historicamente, tentativas de definir o momento exacto da morte foram problemáticas. Morte foi uma vez definida como paragem cardíaca
e respiratória, mas com o desenvolvimento da ressuscitação cardiopulmonar e desfibrilação, por exemplo, surgia um dilema: ou a definição de morte estava errada, ou técnicas que realmente ressuscitavam uma pessoa foram descobertas (em vários casos, respiração e pulso cardíaco podem ser restabelecidos). A primeira explicação foi aceita, e actualmente, a definição de morte é conhecida como morte clínica - morte cerebral ou paragem cardíaca irreversível, por exemplo.»
by Someone

Crueldade

Designação de Cruel:

adj m+f cruel (cruéis pl)

1 que tem prazer em fazer mal
ser cruel com os animais
2 implacável
um destino cruel


ATENÇÃO!!! o filme que se segue mostra o tamanho da cruelade humana e contem imagens chocantes, peço que pessoas com problemas de coração, e afins não carreguem no botão de play... obrigado







Ciclo Tebano

Bruno (Creonte) e Inês (Antígona)

Bruno (Creonte), Inês (Antígona), Ruben (Édipo) e Natacha (Ismena)

Inês (Antígona) e Bruno (Creonte)

David (Tirésias), Vanda (Mensageiro), Inês (Antígona) e Bruno (Creonte)

Inês (Antígona) e Bruno (Creonte)



Após o Fracasso do meu regresso deixo aqui algo mais ilustrativo e apelativo que vale mais que mil palavras, as fotos do Ciclo Tebano







RETURN

Voltei e desta vez espero que seja por muito tempo... bem para celebrar este regresso vou começar com frases que fui criando ao longo desta ausência.
"Não consigo viver sem amar e não consigo amar vivendo, porque aquilo que amo não vive, ama"
"Penso que sou algo que não sou, logo sou o que penso que não sou"
"Quero morrer a olhar para ti, mas de olhos fechados"
"Quero viver a tua vida como se fosse a minha, tornando as nossas vidas o laço de seda"
"Olho para mim e vejo que os olhso são falsos. Assim sei que não vejo com os olhos, sinto"
" O pedir perdão não evita a dor, mas evita o sofrimento"
"Sinto que viver contigo é uma perda de temp, por isso quero vivver ao teu lado sem olhar para o relógio"
"Sofro ao perceber que o amor tem duas vertentes, a tua e a minha"
"Contigo, no teu mundo, parece possível"
"Durante o dia as coisas são falsas, escondem-se na claridade do sol"
"Não preciso que me ames, só preciso que aprendas a gostar de mim"
"Se um dia acordar e tu não estiveres ao meu lado, é porque me estás a fazer o pequeno-almoço"
WELCOME

HZMTFV XV ERMTZMWZ -Sangue de vingança

Tinha de ir ao centro comercial. Havia um livro que estava em stock, e que eu tanto queria. Era uma e meia da tarde, hora de ponta nos centros comerciais, era a única hora que tinha livre.
Quando entrei o centro estava cheio, mal nos conseguíamos mexer. Avancei por entre a multidão até chegar à livraria. Havia uma fila enorme, a sair da livraria. Às tantas, já era difícil perceber onde termina a fila e começava a multidão que por ali passeava. O barulho era imenso.
No meio de toda aquela multidão, vindo de dentro da livraria, ouve-se: «É a última distribuição do livro “Sangue de Vingança”». Comecei a correr, ultrapassando e atropelando as pessoas. Á medida que passava apercebi-me que aquela fila onde tinha estado à espera, não era para o livro, mas sim para um autor qualquer que iria lá dar uma sessão de autógrafos. Tinha estado meia hora numa fila para receber um autógrafo. Estúpido. Agora estava a atropelar todos, só porque não tinha percebido mais cedo que não estava no sítio certo. Estúpido de merda. Realmente, tinha achado estranho o facto de ninguém ter resmungado por eu estar a ultrapassar. Vi o homem que estava a distribuir os livros, a erguer o último livro, não tinha mais ninguém à frente. Era meu, o último livro de uma grande colecção, era meu. Cheguei ao pé do homem, parei. Mal cheguei, algo embate em mim e sou projectado para uns bons 2 metros do distribuidor. Levantei a cabeça e vi à minha frente um homem, mais ou menos com a minha idade, bastante corpulento, loiro, de olhos verdes. Olhei para ele de alto abaixo e vi-o a agarrar no livro. Ele tinha-me empurrado por causa do livro! Virou-se para mim, com o livro na mão, e fez um sorriso como quem diz: “temos pena, agora é meu. Fraco.” E foi-se embora com um grande sorriso nos lábios. A raiva subiu-me à cabeça, mas não podia fazer nada. O último livro da minha colecção esteve a 2 centímetros de mim e tinha-o perdido, por causa de uma besta. Resolvi ir espairecer à zona de restauração do centro. Comecei a sentir-me mal disposto e pedi uma garrafa de água com gás. Peguei na garrafa e sentei-me numa mesa a bebê-la. Havia muito barulho. Mas houve um ruído que se estava a destacar. Olhei na direcção de onde vinha o som e petrifiquei. Aquele som todo, era feito pelo homem que me tinha empurrado na livraria e ficado com o meu livro. Ele ria-se do que lia. A raiva voltou-me a subir à cabeça. Notava-se que ele não percebia o que lia, principalmente conhecendo eu tão bem o autor da colecção, e sabia que ele não era de escrever comédia, ainda por cima numa colecção daquelas. Ele viu que eu estava a olhar para ele. Olhou-me bem nos olhos e fez um sorriso falso e de gozo.
Peguei na garrafa e atirei-a à cabeça dele. A garrafa partiu-se em mil estilhaços, que se projectaram no ar em várias direcções. O maior dos estilhaços ficou espetado mesmo no centro da testa do homem. Ele não sabia sequer o que lhe tinha acertado, apenas sabia que tinha vindo da minha mão. Olhou para mim com um ar assustado, todo ele tremia de alto abaixo, mal se conseguia mexer. Levantou-se, com muita dificuldade, e uma lágrima escorreu-lhe pelo rosto. Tudo à nossa volta, no centro comercial, olhava para aquela situação. Ardiam-me os olhos de tanta raiva que tinha daquele homem. As pessoas não sabiam o que deviam fazer, ajudar o homem ou travar-me. Olhei para as mãos. Tinham salpicos de sangue, sangue sujo, sangue daquele homem. Foquei-me outra vez no alvo e avancei na direcção dele. Ele estava apavorado com toda aquela situação. Cheguei-me bem perto dele, olhei-o nos olhos, bem fundo. Levei a minha mão à sua testa, e passei o dedo no pedaço de vidro que lá se encontrava espetado. Comecei a puxá-lo para fora muito lentamente, o homem gemia que nem um perdido, tirei o pedaço de vidro (da sua testa) e passei-o nos seus lábios. Ele chorava. Eu ria-me. Abri-lhe a boca e meti-lhe pedaços de vidro dentro da boca. Obriguei-o a mastigá-los. Ninguém à nossa volta se mexia. Estava tudo paralisado (a ver toda aquela situação). Até que voltei a enterrar o pedaço de vidro na sua testa com toda a força. Ele gemeu, mas um gemido em surdina, daqueles que arrepiam qualquer um, e caiu no chão, estatelado. De todos os lados corriam pessoas aos berros, assustadas (com tudo aquilo). Os gritos das pessoas começaram a diminuir na minha cabeça e comecei a ouvir o bater do meu coração. Deixei de ouvir as pessoas à minha volta. Já só ouvia o meu coração a bater, com grande velocidade. Olhei para o livro aberto em cima da mesa e estava coberto de sangue. Uma mancha suja. De repente comecei a olhar à minha volta e, de todos os lados, começaram a surgir seguranças, que me agarram e me colocaram no chão com uma grande brutalidade. Caíram todos em cima de mim, não ficou um de fora. Voltei a ouvir os ruídos à minha volta. Fui algemado. Levantaram-me. Não ofereci resistência nenhuma. Olhei mais uma vez para o homem ali estatelado no chão, com o pedaço de vidro espetado no testa e lancei uma gargalhada medonha no ar. Levei uma cacetada na cabeça de um dos seguranças e, quando acordei, estava atrás das grades. Estava deitado na cama da cela, ainda tinha a mesma roupa e as mãos cobertas de sangue.
Levantei-me e olhei para o relógio na outra ponta do corredor, o relógio estava parado, de nada serviu. Ouvi o tilintar de chaves a baterem umas nas outras. Ouvi uma porta de metal a abrir, depois passos, a porta voltou a fechar-se. Os passos seguiram-se e alguém caminhava na minha direcção. Deitei-me na cama calmamente, a olhar para o tecto. O guarda abriu a porta da cela…
“Ó palhaço! Anda daí. Tenho uma prenda para ti.”
Levantei-me outra vez e, ao passar pela porta da cela, deu-me um ataque de vingança. Virei-me de frente para o guarda e, conforme ele passou pela ombreira da porta, fechei-a com toda a força. As grades bateram-lhe no rosto, projectando-o para trás. Caiu junto à parede do fundo da cela. Abri a porta. Caminhei até ele, peguei no cacetéte que tinha à cintura. Levantei-o. Ele aguentou-se de pé, a cambalear, o tempo suficiente para lhe acertar em cheio na nuca, com o cacetéte. Caiu em cima da cama com a cabeça aberta na nuca. Ainda estava consciente. Encostei-me à parede a vê-lo sofrer e a contorcer-se com dores. Tinha um lavatório na cela. Abri a torneira e lavei as mãos. Lavei o lavatório, depois de acabar de lavar as mãos. Virei-me e enxuguei as mãos à camisa. Vi o guarda a rastejar até à porta da cela, devia querer tocar o alarme. Calmamente, caminhei ao lado do guarda, ele levantou a cabeça com um ar de raiva e aterrorizado, e fechei a porta. Tirei-lhe a arma da cintura e descarreguei-a. Depois, tirei os cobertores da cama e atei os membros superiores do guarda às grades da cela e os membros inferiores um ao outro… Agora o que sabeis, sabeis. E daqui por em diante não direi mais uma palavra…

Estrada da vida II

“ – Amo-te… diz alguma coisa, não fiques só a olhar para mim… o que se passa?”

Começou a ficar branco e caiu nos meus braços, só tive tempo de o agarrar antes de cair.

“ - Acorda… não me deixes assim… abre os olhos.”

Verti uma lágrima que lhe caiu directamente nos lábios que se encontravam mesmo debaixo de mim. Ele estava deitado no meu colo.

Levei-o até ao hospital, internaram-no mas não me disseram o que tinha. Gostava de o salvar mas não sou capaz.

“Estás agora deitado nessa maca, ligado a umas máquinas e eu aqui ao teu lado à espera de não sei o quê. Se eu soubesse o que se passa. O único som, o único ruído que quebra o silêncio nesta SALA é a maquina. Pi….pi…pi….pi… que sonoridade irritante. Se não fosse ela a manter-te vivo…

Se eu soubesse o que se passa. Tremeste. Deste-me um sinal. Segredo agora ao teu ouvido “ onde é que tu estás? Será isso o inferno?

” Não reages. Talvez não tenhas ouvido. Costumam dizer que nos ouvem. Senti que te tinha de fazer estas perguntas. É como se uma força me dissesse que o tinha de fazer.

“ Onde é que tu estás? Serás isso o paraíso?”, outra vez aquela força. Talvez seja esta a maneira de te salvar. Continuo. Terás de acordar se me tiveres a ouvir.

“ Mas que sitio é esse? Onde é que tu estás afinal?”

Continuas a não reagir às minhas palavras, talvez tenham deixado de fazer significado para ti.

“ Mas que sítio é esse? Onde é que tu estás afinal?”.

Nada. Não consigo perceber, porque não reage.

“ Não me amas? Responde, não me amas?

Somos todos umas pequenas peças de xadrez que são utilizadas conforme a jogada predestinada a atingir. Sou então uma peça de xadrez que acaba de mudar a ultima jogada do jogo, a seu favor. E tu… vou-te dizer isto bem baixinho e bem perto… és uma peça de xadrez que acaba de perder a jogada, fostes comida”. Saí do pé dele olhei para a máquina irritante e terminei com aquela sonoridade.

Estrada da vida I

Ando numa estrada sem fim. Olho para o horizonte, nada vejo.
Ando, ando, ando e parece que não saio do mesmo sítio.
Onde é que eu estou? Será isto o inferno?
Não, não pode ser. O inferno não teria tão bela paisagem. Arvores arqueadas de um lado e doutro da estrada formando um arco por cima de mim.
Onde é que eu estou? Será isto, isto então, o paraíso?
Não, o paraíso não teria tamanha crueldade.

Mas que sítio é este?
Onde estou eu afinal?

Salto, mas não saio do mesmo sítio, é como se estivesse colado ao chão, como se eu e a estrada fossemos um, mas isso era impossível porque sou feito de pele, músculos e ossos, enquanto a estrada é feita de gravilha e petróleo. Mas… a não ser que eu esteja num local onde toda a matéria se torna igual, independentemente da sua origem, ou material?

Mas que sítio é este?
Onde estou eu afinal?

Será a finalidade disto, eu desistir? Ou será que tenho de lutar até morrer, ou será… para quê preocupar me com perguntas na qual não obterei resposta. Eis então a questão: porquê viver, se não sabemos o que estamos a fazer na terra? Teremos todos, uma missão ou seremos todos, uma peça de xadrez, a ser jogada conforme a estratégia utilizada?... Mais uma vez gasto forças a fazer me perguntas na qual não terei resposta.

CHEGA.

Chega de perguntas idiotas que não levam a lado nenhum.
Chega de lamúrias, quando só estou é a desperdiçar energias. Chega.
Vou ficar mesmo onde estou, á espera do juízo final, no dia em que ele chegar recebê-lo-ei de braços abertos, porque se realmente assim for, é porque somos mesmo umas peças de xadrez.
Continua…....

Sermão aos governantes

Vós, governantes deste País, que ditais as leis, ordenando que nós, povo deste mesmo País, as cumpramos, quando sois vós os primeiros a quebrá-las, sabeis também que não nos devemos comprometer, e prometer algo que, à partida, mais tarde não poderemos cumprir e vós, mais uma vez, sois os primeiros a quebrá-las. Vós também legislais leis, para mais tarde voltar atrás com a palavra, quebrando o significado das mesmas…

Comecemos então pelo primeiro ponto de que vos falei. Referia-me concretamente, mas não só, a esta nova lei do tabaco.
Vós sentis-vos prejudicados com algo, e o que fazeis? Nova lei. Para o bem da sociedade portuguesa, segundo vós, proibis todos os fumadores de fumar em estabelecimentos fechados com menos de 100 m2, como, por exemplo, bares, discotecas, casinos, e sublinho casinos. Porque sublinho? Porque podemos chamar-lhes “ os fiscais de serviço ao governo”. Não é mesmo isso que eles são, que andam por aí a fiscalizar tudo, passando coimas exorbitantes, quando o próprio presidente, dos mesmos, é “apanhado”, a fumar o seu charuto enquanto joga no casino Lisboa. Quereis vós que cumpramos as leis? Nesta situação, que fazeis vós? Recuais na vossa palavra, permitindo fumar-se em casinos e discotecas. Isto, sim, é comandar um país. Isto é governar com garra!
Vós, senhores altivos, que com grande poder, quereis mais segurança rodoviária e colocais agentes da autoridade a passar coimas elevadas, segundo o código de estrada! Passo a citar:

“ Contra – Ordenação Leve: 30 a 150 euros
Contra – Ordenação Grave: 120 a 600 euros ou inibição de conduzir de um mês a um ano.
Contra – Ordenação Muito Grave: 250 a 1.250 euros ou inibição de conduzir de dois meses a dois anos.

Álcool – Grave (até 0.5 gram/ lt de sangue): 250 a 1.250 euros ou um mês a um ano sem conduzir
Muito Grave (até 1.20 gram/ lt de sangue): 500 a 2.500 euros ou dois meses a dois anos sem conduzir.
Crime (de 1.8 gram/ lt de sangue): prisão um mês a um ano ou multa até 120 dias e 3 meses a 3 anos sem conduzir. “

Eu compreendo que seja para o nosso bem, mas eis o que acontece: nós não temos nem dinheiro par apagar o chamado IRS e ainda nos obrigais a pagar estas coimas (partindo do suposto que os agentes por muito leve que seja a contra – ordenação gostam de ser amistosos).
Quereis vós que este país avance? Acho que é difícil remando todos para lados diferentes.

Vós tambem prometeis que moveis mundos e fundos, e, quanto a, isso, nada! Ah, esperai. Permitam-me que recue na minha palavra, visto que vós tambem o podeis fazer. Vós cumpris, sim, com uma das vossas promessas, relativamente aos fundos. Vós moveis os nossos fundos para outro lado… ou seja, numa palavra vós sois, uns CORRUPTOS, com letra grande. Perguntais porque é que nós vos chamamos corruptos, com grande ingenuidade. Bem, apesar de corruptos ser uma palavra muito forte peço desculpa, fui muito rude, permiti que volte atrás na palavra, vós não sois corruptos, apenas usufruís do poder que, ignorantemente, e seguindo as vossas campanhas, vos damos. Mas onde irá parar esse dinheiro que nos tirais? Sim, porque, mais uma vez, prometeis com isso melhorar o país e, resultados, só os da bola, e voltamos a tocar no assunto corrupção.
Esta, e outras perguntas aqui feitas, gostaria que obtivessem resposta.

Em relação à corrupção, acho que tenho um certo pudor. É um assunto muito pouco falado e sem argumentos. Não. Para quê enganar-me a mim mesmo? Será que a corrupção está na moda? É que, se assim for, tenho de pesquisar, pois gosto de estar actualizado, na moda…

Permiti uma coisa. Tenho estado a tratar-vos por vós, mas, visto que somos todos iguais, nem os próprios governantes marcam a diferença, passarei a tratar vos mais familiarmente.

A corrupção, dizem ser um negócio com lucro. Dá rendimento. Dá tambem prisão. Mas isso já não acontece se for feito por alguém de “alto nível”, não é assim? Mas, como é óbvio, a isto não obterei resposta, visto que também vocês a praticam.

Lembro-me agora que este sermão será mais um dos tantos papéis armazenados nas vossas mesas, no qual nem passarão os olhos, ou então será deitado fora com o maior desprezo. Se assim for é porque vocês também não merecem qualquer respeito da minha parte.

"Só duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana, e só tenho dúvidas quanto ao universo." Albert Einstein

Espero que vocês, ao lerem isto, se lembrem que o país não faz o povo, o povo é que faz o país, por isso, não se esqueçam que, para chegarmos até aqui, tivemos de crescer juntos e sermos honestos, mas o que vejo é que cada dia a tendência para piorar é maior…

O resto é conversa.

The Beautiful dream


Mais um sonho.
Estranho sonho, o meu.
Um sonho sobrenatural, daqueles que ninguem tem.
Um sonho que nos leva a acreditar que é verdadeiro e que está a acontecer naquele momento...
Parecia tão real.
Foi o sonho mais belo que tive até hoje.
Sonhei que acordava.
De: Alguém que procura
Para:” Genebra”

Tiraste me a vida quando confirmaste a minha dúvida.
Tudo teve um fim. Aquilo que eu pensei ser a melhor coisa no mundo, acabou num ápice. O mundo, o meu sonho tornou-se o pior pesadelo.
Cai-me uma lágrima. Porquê? Estou a chorar. Porquê? Mas estas lágrimas são diferentes, são lágrimas de cristal. Doem. Pesam. São frias. Foi nisto que me tornei? Foi nisto que me tornaste? Porquê? Tudo isto por culpa de uma só coisa. Por onde passa deixa desordem, o caos e até mesmo o inferno, tornando-nos pecadores da pior espécie. Mais uma lágrima. Estou a arrefecer. Já não sinto os pés, de tão frio que estou. Sempre pensei que isto nunca fosse acontecer. Porquê? Porque é que isto aconteceu? Usufruir de algo que não nos pertence, passar por cima de tudo o que é real para concretizar os nossos desejos…
Mais uma lágrima. Escrevo, mas sem sentir a caneta.
Fui dominado mais uma vez.
Estou dominado por duas coisas ao mesmo tempo.
Mais uma lágrima. Esta é linda. Caiu, mas quebrou-se em mil pedaços.
Tudo o que é belo tem um fim e assim, a natureza prega-nos partidas.
“Genebra” o que foi que tu fizeste?
Mais uma lág ________________

Tu, e só Tu

Porque é que me levaste contigo?
Saíste de ao pé de mim, desapareceste.
Depois de tudo o que já tínhamos passado juntos, tu foste embora. Levaste-me contigo, levaste-me, não sei para onde, sei que foi para longe. Voltarás?

Aquele autocarro, nunca, mais voltou a ser o mesmo.
Aquela paragem, onde tu entravas todos os dias, deixou de ser a mesma, aquele café onde lanchávamos todos os dias deixou de ser o mesmo.
Tudo mudou.
Tinha-te visto pela primeira vez à um ano atrás, quando andei tambem pela primeira vez naquela autocarro, e tu, entraste na tua paragem. Não precisei de levantar a cabeça para te ver, a tua presença, tomou conta de mim, deixei-me levar. Nesse dia estavas linda, como sempre tiveste. À tarde encontrei-te na esplanada daquele café, apesar das distâncias das mesas, eu via-te.
Isto foi assim durante um ano, até que precisamente um ano depois, no dia 13 de Agosto, à tarde no autocarro à vinda para casa, tu sentaste-te ao meu lado beijaste-me o rosto e disseste "Quem me dera que pudesse ver o quanto o admiro". E nunca mais te senti, a entrares naquela paragem. Nunca mais te senti naquela mesa da esplanada daquele café. Só penso se voltarás a entrar naquela paragem, se voltarás àquela mesa na esplanada daquele café. Se m voltarás a trazer-me.

Sim, será

Será?
Será que vens?
Será que me conheces?
Será que me queres?
Será que me sentes?

Será?
Será que te amo?
Será que existo?
Será que preciso de ti?

Será?

Sim, será, tu nunca virás, tu não me amas, tu não me conheces, tu não me queres e tu não me sentes. Porquê? Porque eu não te amo, porque eu não existo, porque eu preciso de ti.

Imaginação

Oiço-te na minha cabeça parece que estás aqui ao lado mas não, é apenas a tua voz na minha cabeça. Sinto a tua falta. Acho que me apaixonei por ti, mas será mesmo?
Passo a vida a pensar em ti, a imaginar-te, a ouvir a tua voz, quando na verdade nem sequer existes.
Porquê? Porque é que te criei?
Talvez porque tenha falta de alguém, de algo.
Oh, se soubesses como é bela a tua voz, o teu corpo, mas não sabes, porque não existes.
Tenho 80 anos, e nunca me casei, nunca soube o que era tocar nos teus lábios. Nunca soube o que era sentir-te. Assim morro sem mais nenhuma palavra para falar sobre mim.

Adeus

Ser ou Não Ser?

Vivo para saber que vou morrer. Ás vezes, dou por mim a pensar “Porque vivemos se a vida nos está sempre a pregar partidas e muitas delas não superamos?”, surgem respostas, mas com elas mais problemas. Fico confuso, a minha cabeça começa a doer. Começo a chorar. O tempo passa e eu ando de um lado para o outro, a chorar, com dores de cabeça. Ninguém me pode ajudar. Não sei o que fazer, tento esquecer mas não consigo. Caio na cama, fixo um ponto no tecto. Percebo que não vale a pena andar de um lado para o outro, quando os problemas continuam a surgir. Tenho de me acalmar e resolve-los. Paro de chorar. Fico imóvel. Oiço o silêncio. É belo. Estou sozinho. Os problemas retornaram à minha cabeça mas desta vez ordenadamente e mais claro. Eram muitos difíceis de resolver. Não conseguia aguentar tantos problemas. A confusão estava a instalar-se outra vez. Eu, estava cansado e o desgasto já era muito. Adormeci…

A pedra

Corro de um lado para o outro. Corro, sei saber o que fazer. Corro…Corro… Paro, em frente a um espelho. Olho para o meu reflexo. Levo as mãos ao espelho. Parti-o. Começo a correr. Corro…Corro… Assim continuei horas a fio, sem perceber o porquê de tudo aquilo estar a acontecer. Apercebi-me que estava numa sala branca. Toda branca. Começam a aparecer pessoas à minha volta. Pessoas de branco. Olho para mim e vejo que também estou de branco. Entro em pânico e desmaio. As perguntas voam na minha cabeça, como a águia trespassa o céu atrás da presa. Acordo. Tomo consciência do que se passava. As coisas estão a acontecer, são reais. A sala branca, era um hospital e as pessoas, médicos. Não param de me observar e dar comprimidos. O espelho, o espelho, era eu. O meu eu que haverá sido morto, por mim. Tive um irmão gémeo. Percebo agora onde estou. Estou no manicómio. Nunca mais volto a ser o mesmo.
O meu irmão irritou-me e eu mandei-lhe com uma pedra à cabeça.